A rapper Tiely Queen é uma das mais respeitadas dentro do movimento hip hop, em São Paulo. Persistente, adora o que faz: ARTE. “Valorizo e respeito o trabalho das pessoas que contribuem para tornar a cultura de rua mais forte”. Nesta entrevista, ela fala sobre a participação no documentário “Guerreiras do Brasil”, do projeto Mulheres do hip hop cantam a realidade e sobre as mudanças do papel da mulher dentro do movimento cultural.
Como e quando você começou a se interessar pela cultura hip hop?
Tiely Queen: Aos 11 comecei a escrever poesias, mas gostava muito de assistir clipes musicais na TV. E as músicas que meus irmãos mais ouviam eram os sucessos de soul, black e disco da época. Ouvia as músicas de Queen Latifah, Public Enemy e por aí vai...Mas quando vi o Thaíde rimando ao som das instrumentais dessas músicas que o DJ Hum tocava, achei maravilhoso e percebi que também poderia fazer o mesmo com minhas poesias. A partir daí iniciei na cultura HIP HOP, no final da década de 1980.
Você nasceu na zona leste, na sua avaliação qual é o impacto social/cultural que esse tipo de encontro traz para comunidade?
TQ: O Hip Hop nasceu nos guetos. Nas periferias marginalizadas da Jamaica migrando para as periferias dos Estados Unidos, e assim foi em todas as periferias do mundo. O maior impacto é mostrar pra sociedade (que não dá vez para quem quer mostrar sua luta e talento) que a periferia tem voz ativa. Produz cultura e é fortalecida com esse produto cultural. Criando autoestima e fazendo as pessoas buscarem suas raízes e direitos.
Como nasceu o Projeto Mulheres do Hip Hop Cantam as Realidades?
T.Q:Nasceu da necessidade de mostrar todo o conteúdo cultural, político e social produzido pelas mulheres dentro da Cultura Hip Hop. Em 2007 foi aprovado o projeto "Mulheres do Hip Hop Cantam as Realidades" pela Secretaria do Estado da Cultura através do PAC HIP HOP. E com isso, produzimos o CD Realidades, unindo 14 grupos de rap formados por mulheres de várias cidades do estado de São Paulo. Daí, o nome "HIP HOP MULHER".
Como a mulher é tratada dentro do movimento hip hop?
T.Q: No começo era tratada como homem. A rapper tinha que se vestir e cantar como homem. Por ser um movimento muito masculino, eles pensavam que o único papel que nos restava era cuidar da casa e segurar os filhos durante os shows. Mas aos poucos isso vem mudando. Isso, também, porque a mulher aprendeu a se posicionar e a impor respeito. A rapper enfrenta uma tripla jornada, muitas cuidam da casa, estudam ou trabalham e ainda encontram tempo para fazer suas rimas. A hipocrisia dentro do movimento está acabando de forma gradativa. Hoje existe muito homem que segura o filho enquanto a mulher canta.
Como foi participar do documentário Guerreiras do Brasil?
T.Q: O documentário Guerreiras do Brasil surgiu como o registro do encontro de várias rappers em uma ilha no Rio de Janeiro para discutir a questão da violência doméstica. Foi um marco muito importante dentro do hip hop porque tive a possibilidade que conhecer mulheres de vários lugares que produzem cultura de forma séria, inteligente e criativa. Apesar das dificuldades impostas pela realidade, na vida de todas as rappers. Eu adorei ter participado e contribuído na produção do CD Mulheres do hip hop pelo fim da violência contra mulher que foi um dos resultados desse encontro histórico.
De que forma o movimento hip hop contribui para o debate e pode contribuir com a mobilização para essa causa?
T.Q: De várias formas. Basta nos dar espaço e condições para desenvolvermos nossos projetos de cultura de rua e hip hop que a quantidade de pessoas beneficiadas é imensa. Só a mulher, por exemplo, traz para dentro do movimento todos e todas que estão a sua volta, atinge pessoas e as transforma. Ajudando na formação dos filhos, sobrinhos, e por aí vai.
Qual é a contribuição da cultura hip hop na construção da cidadania de crianças e adolescentes, principalmente, da periferia?
T.Q: Formando, ensinando novas formas de produzir arte. Buscando a juventude para discutir sua realidade de forma criativa. A música prende a atenção e multiplica pensamentos. A dança trabalha o corpo, ajudando na preservação da saúde. A pintura aguça o olhar, a criatividade.
A rima propõe uma construção de idéias de forma rápida e ajuda no desenvolvimento do senso crítico. Assim os quatro elementos (DJ, BREAK DANCE, GRAFITE, RAP) contribuem na construção da cidadania de milhares de jovens.
segunda-feira, 20 de abril de 2009
terça-feira, 14 de abril de 2009
Mudanças climáticas ou falta de responsabilidade?
Depois de agüentar os maus tratos do homem, a Terra resolveu reagir. Ondas de calor insuportáveis, secas intermináveis, incêndios devastadores, enchentes avassaladoras. Há décadas, pesquisadores e cientistas alertam para os perigos do aquecimento global. A catástrofe anunciada está deixando o planeta mais quente. Quem acha que o fenômeno é natural, engana-se. Somos todos responsáveis. Como? Um carburador desregulado ou a queimada indiscriminada contribuem para o famigerado efeito estufa (gases que são jogados na atmosfera e formam uma camada espessa sobre o planeta). Ou seja, imagine a Terra envolta por um cobertor que a torna cada vez mais quente e impede a saída de radiação solar? Isso é o efeito estufa, um dos grandes causadores dos fenômenos catastróficos dos últimos tempos. Os grandes vilões desta história são o dióxido de carbono (CO2) e o metano (CH4) emitidos, em excesso, na atmosfera.
Com a Revolução industrial, começamos a utilizar intensivamente estes combustíveis fósseis que conhecemos nas formas de carvão mineral, petróleo e gás natural. As florestas também são grandes depósitos de carbono e são extremamente importantes na regulação da temperatura, no regime de ventos e de chuva.
No último século a temperatura da Terra aumentou em 0,7ºC. Há quem diga que isso não é nada, mas já foi o suficiente para causar estragos por todos os continentes: furacões, tufões, enchentes, secas. E não para por aí. De acordo com pesquisadores, a temperatura tende – nos próximos anos – aumentar mais 2ºC. O que isso significa? Derretimento das camadas polares, o desaparecimento de algumas cidades litorâneas, escassez de alimentos, extinção da fauna e da flora, e grandes prejuízos econômicos.
Brasil -- Recentemente, o país, entrou para o Guiness Book como o que mais desmata no mundo. A proeza traz consigo outro dado alarmante. Por conta das queimadas somos o 4º maior emissor de dióxido de carbono do planeta. As conseqüências virão a médio e a longo prazo. Uma delas são as secas e a desertificação. O sertão nordestino será o mais afetado.
O Piauí, por exemplo, poderá sofrer com longas secas. Algumas áreas correm o risco de se tornarem desérticas até o final deste século. Por outro lado ficará mais vulnerável a chuvas torrenciais, o que resultará em graves enchentes e acarretará prejuízos sócio-ambientais para região. A mudança climática pode ser responsável, ainda, pela proliferação de doenças como a malária ou dengue tão combatidas nas últimas décadas.
As condições de vida na área rural se tornarão piores. O único meio de sobrevivência de diversas famílias serão os programas de assistência social. Por isso o grande desafio para o século 21 é amenizar as conseqüências das mudanças climáticas. O único caminho para enfrentá-las é a educação em todos os níveis e a tomada de conscientização por toda a sociedade.
Com a Revolução industrial, começamos a utilizar intensivamente estes combustíveis fósseis que conhecemos nas formas de carvão mineral, petróleo e gás natural. As florestas também são grandes depósitos de carbono e são extremamente importantes na regulação da temperatura, no regime de ventos e de chuva.
No último século a temperatura da Terra aumentou em 0,7ºC. Há quem diga que isso não é nada, mas já foi o suficiente para causar estragos por todos os continentes: furacões, tufões, enchentes, secas. E não para por aí. De acordo com pesquisadores, a temperatura tende – nos próximos anos – aumentar mais 2ºC. O que isso significa? Derretimento das camadas polares, o desaparecimento de algumas cidades litorâneas, escassez de alimentos, extinção da fauna e da flora, e grandes prejuízos econômicos.
Brasil -- Recentemente, o país, entrou para o Guiness Book como o que mais desmata no mundo. A proeza traz consigo outro dado alarmante. Por conta das queimadas somos o 4º maior emissor de dióxido de carbono do planeta. As conseqüências virão a médio e a longo prazo. Uma delas são as secas e a desertificação. O sertão nordestino será o mais afetado.
O Piauí, por exemplo, poderá sofrer com longas secas. Algumas áreas correm o risco de se tornarem desérticas até o final deste século. Por outro lado ficará mais vulnerável a chuvas torrenciais, o que resultará em graves enchentes e acarretará prejuízos sócio-ambientais para região. A mudança climática pode ser responsável, ainda, pela proliferação de doenças como a malária ou dengue tão combatidas nas últimas décadas.
As condições de vida na área rural se tornarão piores. O único meio de sobrevivência de diversas famílias serão os programas de assistência social. Por isso o grande desafio para o século 21 é amenizar as conseqüências das mudanças climáticas. O único caminho para enfrentá-las é a educação em todos os níveis e a tomada de conscientização por toda a sociedade.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
Má-educação
Um depósito silencioso de seres humanos. É assim que a maioria dos que fazem parte do poder público vê a escola. Com políticas públicas incoerentes e professores mal pagos, a educação brasileira padece diante da globalização mundial. Assim, a escola que deveria – ser entendida como uma das principais formas de auxílio a cidadania - se transformou numa grande janela indiscreta para o mundo das desigualdades. E lá que desde muito cedo, milhares de brasileiros percebem que o povo é tratado como moeda de troca. Diante deste contexto, para o jovem desprovido de recursos financeiros, a escola deixou de ser atrativa. Tamanha pode ser aberração, do ensino público, que muitos trocam os bancos escolares pelas “bocas de fumo”. Pois é, vencer esse círculo vicioso tornou-se um grande desafio, não só para os educadores, mas por entidades governamentais que esperam que o Brasil deixe de ser o país do futuro, e comece a olhar o seu presente, para não repetir os mesmos erros do passado.
Para Pedro Demo, educador, “o cerne da pobreza não está em não ter simplesmente, mas ser coibido de ter e ser. Por isso pobreza é injustiça, e esta consciência é decisiva para o seu enfrentamento.” Nenhuma criança sonha em ser bandido, traficante ou prostituta. A maioria, mesmo sem saber o que é cidadania, sonha em ser alguém. E é nos bancos escolares que os sonhos tornam-se realidade. Para alguns o ser se torna impossível diante do não ter, para outros o ser se torna fundamental na conquista do ter. Nessa linha tênue caminha a juventude brasileira. Entre – como diz a canção – Somos quem podemos ser, sonhos que podemos ter, o país vai amadurecendo. Numa sociedade educada para a submissão é latente a falta de senso-crítico. Isso se torna ainda mais perceptível nas crianças e adolescentes que concluem o Ensino Fundamental e mal sabem ler. Bombardeados por informação, a maioria continua anestesiada diante dos meios de comunicação. Embora, pareça estranho, a televisão congrega e nos faz sentir parte de uma sociedade, que ainda não se vê, mas acredita se relacionar. Mudar essa realidade é tarefa crucial para quem acredita na educação, não como um canal, mas como um meio de transformação social. Por isso, sociedade civil e iniciativa privada, devem unir forças e investir na formação de cidadãos. E isso é muito mais do que formar simplesmente mão-de- obra especializada, para ser absorvida pelo mercado de trabalho. Isso é muito mais do que mero assistencialismo. Isso é muito mais do que simplesmente tratar o jovem como “coitadinho”. Na verdade, é dar oportunidade para que ele pense por si próprio e passe a ser sujeito de sua própria história, porque –como cita Demo – “ na lógica do poder, não se aprecia o cidadão crítico e produtivo, mas o assecla manipulado.”
Para Pedro Demo, educador, “o cerne da pobreza não está em não ter simplesmente, mas ser coibido de ter e ser. Por isso pobreza é injustiça, e esta consciência é decisiva para o seu enfrentamento.” Nenhuma criança sonha em ser bandido, traficante ou prostituta. A maioria, mesmo sem saber o que é cidadania, sonha em ser alguém. E é nos bancos escolares que os sonhos tornam-se realidade. Para alguns o ser se torna impossível diante do não ter, para outros o ser se torna fundamental na conquista do ter. Nessa linha tênue caminha a juventude brasileira. Entre – como diz a canção – Somos quem podemos ser, sonhos que podemos ter, o país vai amadurecendo. Numa sociedade educada para a submissão é latente a falta de senso-crítico. Isso se torna ainda mais perceptível nas crianças e adolescentes que concluem o Ensino Fundamental e mal sabem ler. Bombardeados por informação, a maioria continua anestesiada diante dos meios de comunicação. Embora, pareça estranho, a televisão congrega e nos faz sentir parte de uma sociedade, que ainda não se vê, mas acredita se relacionar. Mudar essa realidade é tarefa crucial para quem acredita na educação, não como um canal, mas como um meio de transformação social. Por isso, sociedade civil e iniciativa privada, devem unir forças e investir na formação de cidadãos. E isso é muito mais do que formar simplesmente mão-de- obra especializada, para ser absorvida pelo mercado de trabalho. Isso é muito mais do que mero assistencialismo. Isso é muito mais do que simplesmente tratar o jovem como “coitadinho”. Na verdade, é dar oportunidade para que ele pense por si próprio e passe a ser sujeito de sua própria história, porque –como cita Demo – “ na lógica do poder, não se aprecia o cidadão crítico e produtivo, mas o assecla manipulado.”
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