quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Má-educação

Um depósito silencioso de seres humanos. É assim que a maioria dos que fazem parte do poder público vê a escola. Com políticas públicas incoerentes e professores mal pagos, a educação brasileira padece diante da globalização mundial. Assim, a escola que deveria – ser entendida como uma das principais formas de auxílio a cidadania - se transformou numa grande janela indiscreta para o mundo das desigualdades. E lá que desde muito cedo, milhares de brasileiros percebem que o povo é tratado como moeda de troca. Diante deste contexto, para o jovem desprovido de recursos financeiros, a escola deixou de ser atrativa. Tamanha pode ser aberração, do ensino público, que muitos trocam os bancos escolares pelas “bocas de fumo”. Pois é, vencer esse círculo vicioso tornou-se um grande desafio, não só para os educadores, mas por entidades governamentais que esperam que o Brasil deixe de ser o país do futuro, e comece a olhar o seu presente, para não repetir os mesmos erros do passado.
Para Pedro Demo, educador, “o cerne da pobreza não está em não ter simplesmente, mas ser coibido de ter e ser. Por isso pobreza é injustiça, e esta consciência é decisiva para o seu enfrentamento.” Nenhuma criança sonha em ser bandido, traficante ou prostituta. A maioria, mesmo sem saber o que é cidadania, sonha em ser alguém. E é nos bancos escolares que os sonhos tornam-se realidade. Para alguns o ser se torna impossível diante do não ter, para outros o ser se torna fundamental na conquista do ter. Nessa linha tênue caminha a juventude brasileira. Entre – como diz a canção – Somos quem podemos ser, sonhos que podemos ter, o país vai amadurecendo. Numa sociedade educada para a submissão é latente a falta de senso-crítico. Isso se torna ainda mais perceptível nas crianças e adolescentes que concluem o Ensino Fundamental e mal sabem ler. Bombardeados por informação, a maioria continua anestesiada diante dos meios de comunicação. Embora, pareça estranho, a televisão congrega e nos faz sentir parte de uma sociedade, que ainda não se vê, mas acredita se relacionar. Mudar essa realidade é tarefa crucial para quem acredita na educação, não como um canal, mas como um meio de transformação social. Por isso, sociedade civil e iniciativa privada, devem unir forças e investir na formação de cidadãos. E isso é muito mais do que formar simplesmente mão-de- obra especializada, para ser absorvida pelo mercado de trabalho. Isso é muito mais do que mero assistencialismo. Isso é muito mais do que simplesmente tratar o jovem como “coitadinho”. Na verdade, é dar oportunidade para que ele pense por si próprio e passe a ser sujeito de sua própria história, porque –como cita Demo – “ na lógica do poder, não se aprecia o cidadão crítico e produtivo, mas o assecla manipulado.”

Um comentário:

  1. Se não for pelas portas da educação será pelas portas da revolução que esses jovens vão se mostrar ao mundo? Isso na melhor das hipóteses...pior é se continuar sendo pelas portas das drogas, do crime, do abandono. Esse descaso faz parte de uma educação que não os quer incluídos, uma educação que não quer ver nada mudado, nada diferente, quer que tudo continue como está. Apenas se todos se conscientizarem disso, principalmente quem sofre as consequências dessa dinâmica isso pode mudar!

    Vamos à luta, companheira!

    Carla Prates

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